Palavra do Diretor: Tributos e burocracia. Vilões até quando?

Tributos e burocracia. Vilões até quando?

José Francisco Caseiro
ciesp@ciespaltotiete.com.br

Uma recente pesquisa da indústria paulista confirma que tributação e burocracia são, na visão de quem vive o dia a dia nas fábricas, os principais entraves para o avanço da competitividade e o ritmo de crescimento das empresas brasileiras.
São temas batidos há muito tempo pelos empresários, que consomem dinheiro, tempo e deixam o Brasil para trás dos concorrentes. E que continuam na liderança dos obstáculos que atrapalham a indústria pelo simples fato de que a solução deles não está nas mãos da iniciativa privada e, sim, dos governantes.
É diferente, por exemplo, de temas como pesquisa e desenvolvimento e tecnologias da indústria 4.0, que também são essenciais para a competitividade do setor. A diferença é que, apesar da importância do apoio público, os investimentos nestas áreas não dependem exclusivamente disso. Pelo contrário, até por sobrevivência, as empresas de um jeito ou de outro avançam nestes campos.
No caso da tributação e da burocracia, não há como fazer mudanças por conta própria. Mesmo no auge da recessão econômica que o País enfrenta desde 2014, a indústria foi onerada como antes. A pesquisa do Sistema Fiesp/Ciesp mostra que o gasto anual com a burocracia dos impostos é de R$ 37 bilhões – o equivalente a 1,2% da receita é gasto para administrar o sistema tributário.
Se levarmos em conta que a indústria é o setor mais dinâmico da economia em qualquer lugar do mundo, o que acontece no Brasil vai totalmente na contramão. E agora, mais do que nunca, isso precisa ser falado, exposto e discutido. Afinal, em breve teremos um novo governo, que chega com muitas expectativas e para o qual precisa ficar claro, desde sempre, que o crescimento do País está atrelado ao protagonismo da indústria nacional. Não é questão de defender um setor mais do que o outro, mas reconhecer que o fortalecimento da indústria implica num efeito positivo em cadeia de grande escala.
Portanto, o que todos nós esperamos, e vamos cobrar, é um plano de desenvolvimento que venha com reformas estruturais que melhorem o ambiente de negócios, mude a questão fiscal, equacione a política macroeconômica e reconheça a importância de um setor que, na contramão de todas as dificuldades, tem sobrevivido e propiciado a reação do emprego e dos investimentos. E tem colocado o Alto Tietê nos holofotes do Estado de São Paulo.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê.